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segunda-feira, 4 de março de 2013

Amor Tirano






Quantas versões antagónicas há em nós mesmos? A boa e a má. A séria e a cómica. A justa e a pecadora. A melancólica e a feliz. A recatada e a sociável. Somos seres compostos por pólos opostos, menos e mais, yin e yang. Joseph Stalin, o tirano que a história qualifica de sanguinário  (não obstante a admiração de muitos fanáticos) responsável pela morte de milhões de pessoas, tinha também um lado carinhoso. Stalin foi capaz de amar. Na verdade Stalin foi capaz de um amor tão grande que, não teve pejo em contrariar as suas crenças comunistas para cumprir o desejo da sua amada de um casamento religioso. O mesmo homem que perseguia e executava os seus opositores de forma impiedosa era também capaz de grandes demonstrações de amor, como a da foto, onde, sem legendas, apenas testemunhamos o amor de um pai. Svetlana, a criança acima retratada era a sua filha mais nova (teve mais dois rapazes, o mais velho morreu num campo de concentração nazi) e a menina dos seus olhos, que ele carinhosamente apelidava de pardalzinho. Era para abraçar Svetlana que Stalin corria quando não estava a planear atrocidades . Era a falta de tempo para dar colo e carinho a Svetlana que o tirano mais  lamentava.  Svetlana pediria, anos mais tarde, asilo politico aos EUA em troca da denúncia dos crimes cometidos pelo pai. Apesar de todo o amor que este lhe dedicou Svetlana foi incapaz de fechar os olhos ao genocídio  cometido pelo homem que mais a amou. Foi incapaz de compactuar com as monstruosidades que ele havia planeado, ainda que, empiricamente, conhecesse apenas o seu lado bom. Porque inevitavelmente, um dia, os pólos misturam-se e, o que era um equilibro malabarista entre dois mundos antagónicos, dá lugar a uma nova verdade. 



(Pouco tempo depois de Stalin subir ao poder, e em visita ao seu país natal: a Geórgia, a mãe perguntou-lhe qual era afinal o seu trabalho. Stalin explicou-lhe que era uma espécie de Czar da Rússia, remetendo-a para a memória do que lhe era familiar. Perante aquela resposta a mãe, que sempre havia sonhado com a carreira eclesiástica para o filho, desabafou um "mais valia teres ido para padre". As mães têm sempre razão...)