domingo, 29 de dezembro de 2013

sobre essa coisa do lixo em Lx...

(o que está empilhado na rua, não o que veste de encarnado...)

 

esta greve é a total subversão do conceito de direito à greve. Os trabalhadores em questão não vão receber menos, não vão trabalhar mais, não vão perder direitos nem antiguidade, continuarão a trabalhar para o Estado e a usufruir das mesmas regalias. A diferença estará apenas no cabeçalho do cheque, que deixará de ser a Câmara Municipal de Lisboa para ser a Freguesia para a qual trabalha. O que mudará também é que o chefe, em vez de ser um vereador, com poderes delegados, e confinado ao seu gabinete na CML a assinar despachos, passará a ser o presidente da junta, o homem que está no terreno e que, no final dia, sabe imediatamente se o trabalho foi ou não bem feito. Haverá por isso mais exigência, será esse o motivo da greve?
Mas este caso é ainda mais rocambolesco, é que além do abuso que é recorrer à greve por motivos injustificados, da época escolhida, do número excessivo de dias (que coloca em causa a saúde pública) há ainda o atentado à liberdade de quem escolhe não fazer greve.
Vivemos num país tendencialmente de esquerda, o que não seria uma crítica se não acabássemos por cair no ridículo. Esta greve é inqualificável e, num país a sério os sequestradores que perpetraram este terrorismo seriam chamados á responsabilidade. Num país a sério a comunicação social daria um tratamento isento e informado ao invés do circo onde quem escolhe não fazer greve aparece como o vilão.
 
 

sábado, 28 de dezembro de 2013

Lembrai-me de...

na minha próxima visita a Setúbal me engasgar com um choco frito e pedir para ser socorrida pelo mister Junho:

Bombeiros fazem calendário por causa nobre

ou o Julho,

Bombeiros fazem calendário por causa nobre

ou até o Dezembro,

Bombeiros fazem calendário por causa nobre


Entretanto, vou ali comprar o calendário que eu gosto mesmo é de ajudar...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O Homem: um milímetro acima do macaco quando não é um centímetro abaixo do porco*



Parece enredo, novela, romance medieval mas não, é uma história real, passada em pleno século XXI, num país que já aboliu a escravatura há 3 séculos, o nosso.
Há muitas Benildes no nosso país, talvez por isso, o que mais me choca nesta história não é a exploração e aproveitamento da ignorância de uma pessoa, a privação dos seus direitos mais básicos como educação, descanso, salário condigno, respeito... O que mais me choca é constatar que existem pessoas tão perversas como a Ernestina. Pessoas que não têm qualquer pejo em sequestrar outros mantendo-os reféns de chantagens emocionais e promessas que não têm qualquer intenção de cumprir. Pessoas tão ingratas que não são capazes de reconhecer quem só lhes fez bem durante toda uma vida. Pessoas que separam os humanos em categorias, de acordo com as suas origens e posses ignorando o valor de cada um. Pessoas que me envergonham por ser pessoa.

 *Pío Baroja

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Coisas que me fazem pensar e depois rir !!

Jorge Jesus é hoje em dia o 11ª técnico mais bem pago do futebol mundial, e eu até acho bem e espero que o continue a ser e que treine o Benfas por muitos anos! 
Agora há uma coisa que me deixa a pensar, se ele sem mostrar serviço é assim tão bem pago, quanto receberia se de facto ganhasse alguma coisa?
Provavelmente o orelhas teria de fazer um peditório aos 6 milhões de crentes adeptos para pagar essa jóia rara que é JJ.




terça-feira, 17 de dezembro de 2013

o importante é importar-nos...



Tenho uma pessoa, um conhecido, não sei muito bem como o classificar, sei que temos de ter as pessoas arrumadas e catalogadas mas, nem sempre é fácil. A pessoa em questão não é minha familiar, não partilhamos o mesmo sangue, não é minha colega, não partilhamos o mesmo trabalho ou  escola, tão pouco a faixa etária, não é minha amiga, não partilhamos confidências. É meu semelhante, é uma pessoa como eu. Essa pessoa tem sido muito mal tratada pela vida. Essa pessoa não tinha uma rede de apoio e simplesmente se deixou ir. Entregou-se ao álcool, teve um acidente com sérias repercussões na sua saúde, perdeu o emprego, perdeu os bens que tinha, foi abandonada pela família. Essa pessoa sobreviveu. Essa pessoa, teve pessoas, seus semelhantes, que lhe deram a mão. Mexeram-se uns pauzinhos e conseguiu-se vaga numa clínica para uma desintoxicação. Mais uns pauzinhos e a segurança social atribui-lhe uma casa, um subsídio de sobrevivência, o acesso a um centro de dia com alimentação garantida. Uma ou outra influência, aqui  ali e a seguradora lá pagou uma indemnização, saiu a reforma por incapacidade. Essa pessoa era agora uma pessoa com dignidade, recebia o seu próprio dinheiro e pôde arranjar a sua casa. E, após todas estas conquistas, a família voltou. Essa pessoa tinha agora netos, por quem se apaixonou imediatamente. Essa pessoa pediu perdão às filhas por as ter abandonado, sem nunca ter questionado se não teria sido essa pessoa a ser abandonada. Tudo parecia estar bem. 
Mas a vida só é cor de rosa no reino da fantasia. Primeiro uma das filhas perdeu o emprego, depois a outra. Vieram os problemas financeiros e tinham ali, mesmo à mão essa pessoa. Essa abriu o seu coração, a porta da sua casa e a sua conta bancária para quem outrora a abandonou.
Ontem, recebi um telefonema a dizer-me que essa pessoa voltou ao álcool, teve uma queda aparatosa, foi parar ao hospital. Uma vez mais fomos ter com essa pessoa, não lhe passamos a mão na cabeça, pelo contrário, berrámos, xingámos, só não batemos porque seria cobardia. Fizemos isso porque nos importamos e fizemos questão de deixar isso bem claro. Essa pessoa chorou à nossa frente. Não somos família, não somos amigos. Somos semelhantes e importamo-nos. Importamo-nos com o bem estar dos nossos semelhantes, importamo-nos que alguém não tenha uma rede de apoio. Todos nós merecemos ter alguém que se importe, que nos estenda a mão, que esteja presente, que nos puxe do lodo que nos afoga. E essa pessoa pode muito bem ser aquela que não tem direito a classificação na tua vida.

Me too...



Não há paixão sem dor...


 
 
A Avó Willow é que sabia...

 

1 mês depois...








A Mona está viva...

 
 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

echoes in the night...


Night is purer than day; it is better for thinking and loving and dreaming. At night everything is more intense, more true. The echo of words that have been spoken during the day takes on a new and deeper meaning.

in, Dawn, Elie Wiesel 

hereditariedades...



Já aqui falei muitas vezes sobre a minha avó, é verdade, mas é também verdade que todas as linhas que possa escrever serão insuficientes para descrever o tanto que ela me deu. A minha avó foi a minha primeira mãe. Foi quem me criou, com quem vivi e partilhei cama os primeiros dez anos da minha existência. Sim, eu dormia com a minha avó, porque a casa era demasiado grande, o soalho rangia demais, e a minha imaginação corria (ainda corre) demasiado selvagem, porque era (ainda sou) demasiado friorenta mas, sobretudo, porque gostávamos demais uma da outra para nos abandonarmos cada uma em seu quarto a gozar uma solidão demasiado pesada. Todos os dias a minha avó via-se e desejava-se para me aturar, berrava, ameaçava bater-me. Eu era arisca, respondona, desobediente mas, todos os dias, invariavelmente, dormíamos agarradas, de pés entrelaçados.
Não saio muito à minha avó, nem no parecer nem no jeito de ser. Mas, a convivência molda-nos, nós somos o reflexo daqueles que connosco se cruzaram e, por isso a minha avó está em mim. Está na emotividade, na lágrima fácil, na sensibilidade que nos faz ficar ofendidas com facilidade.  Está no coração mesmo junto à boca (o que, provavelmente, me vai fazer perder uma aposta nos próximos dias), na incapacidade de ignorar quando nos fazem mal, está no incomodo que sinto quando não estou em paz, e na forma como isso se reflecte imediatamente no bem estar físico. Está nas cismas, nos silêncios, na enorme capacidade de perdoar mas, sobretudo, naquilo que muitos apelidam de orgulho, e que é na verdade amor próprio. 
Uma das memórias mais nítidas que tenho da minha avó, era a forma determinada com que afirmava não querer ser um peso, um estorvo para ninguém. A minha avó não pedia ajuda, por muito que precisasse, não incomodava, não cobrava. A minha avó não impunha a sua presença, nem reclamava dos outros o que era obrigação deles dar. Afinal, dizia ela "quem gosta de nós mantém-nos perto, dá-nos sem pedir, se não nos quer perto, então é porque não gosta de nós, e a esses, nada poderemos exigir"...