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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Mas em vão, porque o porco é bom só para assar... (como diz o outro, 'Tudo foi em vão')

O Leão e o Porco

O rei dos animais, o rugidor leão,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.
Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):
Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;
Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.
Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria,
Soltavam contra ele injúria sobre injúria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:
«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!»
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,
Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
Não há poder algum que mude a natureza:
Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.

Bocage, in 'Fábulas'

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

estou assim... a ENLOUQUECER (ainda mais)




Eu já não sei 
Se fiz bem ou se fiz mal
Em pôr um ponto final
Na minha paixão ardente
Eu já não sei
Porque quem sofre de amor 
A cantar sofre melhor
As mágoas que o peito sente

Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos
Sinto o desejo de me lançar nos teus braços
Tenho vontade de te dizer frente a frente 
Quanta saudade há do teu amor ausente
Num louco anseio, lembrando o que já chorei
Se te amo ou se te odeio
Eu já não sei

Eu já não sei
Sorrir como então sorria 
Quando em lindos sonhos via 
A tua adorada imagem
Eu já não sei 
Se deva ou não deva querer-te
Pois quero às vezes esquecer-te 

Quero, mas não tenho coragem...
 
 

come to mama...


 
estou a desesperar...



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Da natureza Humana...




O tornado de Oklahoma foi apenas mais um. Ceifou vidas, destruiu edifícios, levou memórias, deixou marcas que custarão a passar. Mas, foi apenas mais um. Depois do choque, do luto, do choro, aquele povo vai arregaçar as mangas e reconstruir o que o vento destruiu: a mesma casa, a mesma escola, o mesmo parque no mesmo sítio. Tudo voltará a ser igual. Apesar da ausência de quem não sobreviveu, apesar da dor que vão sempre carregar, da cicatriz, mais uma, que vai ficar marcada na pele. Daqui a uns tempos vão olhar para trás e falar do tornado de 2013 como apenas mais um, será um termo de comparação para os próximos que virão. Porque virão mais. Sabemos nós e sabem os habitantes de Oklahoma. É apenas uma questão de tempo até serem atingidos pelo próximo tornado. Talvez menos destrutivo, talvez igualmente arrasador, essa é a única dúvida. Mesmo assim, não desistem de reconstruir a sua vida ali, de arriscar passar pelo mesmo tormento outra e outra vez. Resiliência? Coragem? Fatalismo? ou Tendência para o trágico? 
Sempre acreditei que a humanidade carrega uma natural tendência para o sofrimento. Um pouco aquela ideia religiosa de que só pela dor nos purificamos e por isso a aceitamos, a acatamos resignadamente, muitas vezes a procuramos. Há uma espécie de necessidade de sofrer para nos sentirmos vivos. Como se as lágrimas despertassem mais que o sorriso. Só isso explica o gostarmos tanto do que nos faz mal. O vivermos agarrados a recordações que nos consomem. A tendência suicida para repetir os mesmo erros outra e outra vez. Burrice? Masoquismo? Ou a mesma natureza que leva o louva-a-deus a procurar  a sua fêmea, mesmo sabendo que, no fim, acabará sem cabeça?