segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Notícias de Istambul
Os Turcos são uma nacionalidade a explorar, tenho visto por aqui espécimens muito interessantes!!!
sábado, 10 de agosto de 2013
Pontapé de saída
Porque há coisas que nunca mudam, porque há rotinas que sabem bem, porque a nossa rotina é vencer, este ano não será diferente e, tencionamos começar já hoje. E porque estou por terras mouriscas, estou tentada a ir para o Marquês gritar Pueeeerrrrto! Carago, é tão bom ser do FCP...
(Ps. O que eu gosto deste ruivinho!)
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
chega-te a mim...
... quero cheirar-te. A que cheiras tu? Ao fresco verde? ao quente dourado? ao apaixonado vermelho? ao doce azul? O cheiro importa. Tudo tem um cheiro, uma impressão olfactiva, um perfume intrínseco. O amor cheira a mar, o ódio a fogo. A amizade cheira a terra, a compaixão a vento. Perdesse eu todos os outros sentidos e ainda assim conheceria as minhas pessoas apenas pelo cheiro. Mas não conheço o teu cheiro e, por isso perco-me de ti. Desoriento-me e não te encontro o rastro. Voltas atrás, dás-me a mão, esperas-me. Reconheço-te o tacto, sei de cor a tua voz, mas não conheço o perfume do teu riso, dos teus lábios, das tuas mãos, dos teus olhos. Na noite escura, no silêncio sepulcral, na distância de dois braços, quero cheirar-te, sentir-te presente.
Chega-te a mim...
Chega-te a mim...
crossing that farthest line...
There is a sea,
A far and distant sea
Beyond the farthest line,
Where all my ships that went astray,
Where all my dreams of yesterday
Are mine.
In, Praia, Sophia de Mello Breyner Andresen
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Voltar a ser criança para voltar a acreditar...
Ontem fui acompanhar um autocarro com 45 crianças rumo a uma aventura numa colónia de férias. O encontro estava marcado para as 9:30, às 9 em ponto já lá estavam todas, sem execepção numa espera ansiosa que não as deixou sequer dormir na noite anterior. A algazarra a bordo era muita. Barulhentos, irrequietos, malandros, mesmo como se querem as crianças. Ainda bem, assim também não houve hipótese a enjoos, a lágrimas de saudade, a arrependimentos de última hora. De entre todos aqueles bichinhos carpinteiros, havia um, particularmente irrequieto, que se destacava pela impaciência. Obrigou-me a sentar a seu lado, para ver se acalmava. Encetamos logo ali uma conversa. Entre o nervosismo e a excitação contou-me que está em pulgas para rever a Elisabete, a namorada que conheceu no ano anterior lá, na mesma colónia. Que está cheio de saudades, que foi difícil passar um ano inteiro sem a ver. Leva-lhe uma prenda: três batons e um coração recortado de cartolina vermelha com um poema escrito por ele. Os olhos brilhavam genuinamente.
Fiquei comovida. Acreditar no amor é preciso. É uma fé que se vai perdendo. À medida que vamos crescendo vamos desacreditando em realidades que nos fizeram muito felizes. O Pai Natal, a imortalidade dos nossos avós, a invencibilidade dos nosso pais, os finais felizes, o amor, outrora verdades incontestáveis, vão-se desfazendo com o contar dos anos, rebentando como bolhas de sabão mesmo em cima do nosso nariz. Mas o João não precisa de saber disso, não para já. Sorri-lhe e desejei que aquele brilho, aquela crença se prolongasse por muitos anos, ou pelo menos, durante os dez dias que vai estar junto da sua Elisabete.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
C'est ça que c'est bon...
Agosto é o mês do Verão por excelência, das férias, do descanso, da troca dos dias pelas noites, das jantaradas ao ar livre, da sangria e do peixe grelhado. Agosto é o mês dos amigos, dos reencontros. E Agosto é também o mês do Natal, da família, para todos aqueles que regressam à sua pátria, à sua casa, após um ano de trabalho lá fora. Desde sempre me habituei a ver chegar esta malta. Barulhenta, alegre, sedenta de convívio, de pessoas, da portugalidade. Chegam à terra nos seus bólides último modelo, muitas vezes quitado para dar bem nas vistas. Ostentam o orgulho de ser português, o símbolo da federação, a bandeira nacional, o cachecol da selecção, o terço de Fátima, são acessórios auto tão banais como os pneus. As indumentárias denunciam a proveniência. O boné estrategicamente colocado de lado, os fatos de treino de marca, de preferência na cor branca, a bolsa a tiracolo, a camisola do benfas, agora substituída pela do FCP. Eles desportivos, elas demasiado arranjadas e maquilhadas, como se as ruas da aldeia fosse um prolongar dos Campos Elísios, despertando a libido dos rapazes da aldeia que fantasiam com a muito romanceada libertinagem francesa. A aldeia engalana-se para os receber, fazem-se bailaricos, romarias, pagam-se promessas. Mas os outrora filhos da aldeia são agora os avecs. Oscilam entre a condição de emigrante e imigrante.
Isto a propósito do filme A Gaiola Dourada ou La Caje Dorée, - sim porque Agosto é também o mês em que desenferrujamos o francês - ah oui ein! Uma sátira genial à condição dos portugueses em França, à geração dos meus pais que teve de sair do seu país para sustentar a família (um pouco como está a acontecer agora, com a minha geração). Podemos gozar com a sua forma de falar, com a aculturação, com a adoração a símbolos de um Portugal já passado, com a necessidade de ostentar o seu sucesso em forma de grandes casas e carros alemães. Mas não podemos esquecer a força de trabalho que são, o respeito como profissionais que granjeiam nos países que os acolhe, a divulgação da cultura portuguesa, o engrandecimento da Diáspora portuguesa, a importância que têm para a nossa economia. Somos um povo emigrante, está-nos no sangue, está cravado no nosso ADN. No passado demos novos mundos ao mundo, hoje damos ao mundo muito de nós, do ser português.
Que mais dizer sobre o filme? O argumento é excelente na sua simplicidade. A Rita Blanco está soberba, Joaquim de Almeida finalmente no papel de um português, a banda sonora é fenomenal - outra coisa não se esperaria de Rodrigo Leão. Quanto ao Rúben Alves, o realizador, muito jeitoso este avec... Putain...
está um excelente dia....
... para ficar em casa a deprimir: deitada no sofá, a comer chocolate, ler e ouvir isto...
(apre! preciso de férias!asap.)
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
do silêncio ensurdecedor...
Para além da dureza e das traições dos homens, para além da agonia da carne, começa a prova do último suplício: o silêncio de Deus.
E os céus parecem desertos e vazios sobre as cidades escuras.
in O Homem, Sophia de Mello Breyner Andresen
Swaps há muitos, seu palerma!
Dúvidas houvessem quanto à qualidade da nossa classe política e jornalística e, os últimos dias teriam sido esclarecedores. Os mais recentes episódios da novela partidária centraram-se em apurar se a actual ministra das finanças teve ou não conhecimento dos contratos swap aquando da transição de governo. Constituiu-se uma comissão, compararam-se datas, emails, testemunhos, analisaram-se adjectivos, pronomes e advérbios de modo e tempo. Nos jornais e noticiários televisivos discorreu-se sobre a problemática interpretativa das palavras da ministra.
Não vi, em momento algum, os protagonistas das notícias deste país preocupados em saber e esclarecer os contornos que justificam estes contratos. Perguntas como porquê? para quê? a que custo? parecem irrelevantes perante a urgência em saber quando é que este governo tomou conhecimento da trampa herdada pelo anterior executivo.
Há 4 anos atrás, com o agudizar da crise, as empresas viram-se com sérios problemas de liquidez. Na procura imediata da resolução deste problema, tentaram renegociar os créditos (contas correntes de pré-datados e/ou desconto de letras). No processo de negociação, os bancos direccionavam os seus clientes para instituições de crédito do grupo que, como contrapartida para o aumento de crédito, obrigavam à assinatura de contractos swap. Obrigavam é o termo. Sufocados com a falta de liquidez, os empresários não tinham outro remédio senão aceitar esta imposição. As explicações pouco técnicas fornecidas ao balcão da agência pressupunham um bom negócio, embora toda a gente saiba que ninguém faz bons negócios no balcão de um banco, já que a casa ganha sempre. Uma taxa de juro fixa, permitiria uma previsão exacta dos custos.
Poucos meses após o boom deste contratos, as taxas de juro caíram a pique. Os contraentes continuaram a pagar a taxa que haviam negociado, muito acima das praticadas então. Com o piorar da situação económica, do país e do mundo, e os resultados líquidos das empresas a cair, os bancos reviram em baixo todos os limites de crédito contudo, as instituições financeiras, do mesmo grupo, continuaram a cobrar juros sobre limites que já não existiam no banco, alicerçados num famigerado contracto swap. Esta vigarice, disfarçada de fato e gravata condenou muita gente à falência, pessoas que, obrigadas a darem o seu aval pessoal, acabaram por perder tudo o que tinham, vitimas de capitalismo selvagem e pouco escrupuloso.
Muitos destes empresários, hoje, sabem que foi um erro a assinatura deste tipo de contratos mas, também sabem que era a única saída que tinham à data, sufocados que estavam com a falta de liquidez. Apesar de tudo, jogaram com o dinheiro deles, perderam o que lhes pertencia. O mesmo não se passa com as empresas públicas que subscreveram este tipo de contratos. Ao contrário das empresas privadas, que têm crédito sobre aquilo que já facturaram, a maioria das empresas públicas pode apresentar como garantia verbas futuras, tendo por isso maior facilidade no aceso ao crédito e não se justificando a aceitação de contratos abutres como os swap. A pergunta que se impõe, não é a de quem sabia ou quando soube, mas antes o porquê destes contratos. O que importa saber é quem ganhou com estas subscrições e responsabilizar quem lesou o estado. Importa saber se há ligações entre os bancos envolvidos e os gestores públicos que assinaram os contratos. E importa, de uma vez por todas deixar bem claro a todos os que foram chamados a pagar estes erros que a impunidade não perdurará. Porque, neste país, os políticos e gestores públicos, em vez de assinar o livro de posse deviam era assinar uma livrança em branco, por aval ao subscritor, o povo. Melhoraria muito a gestão da coisa pública.
sábado, 3 de agosto de 2013
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
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