
Poucos apreciarão tanto uma piada como eu. Gosto mesmo de piadas, de qualquer género, tontas, inocentes, mórbidas, brejeiras, nonsense, escárnio, é que papo-as todas. Acontece que ultimamente aqueles tipos que ocupam as cadeiras mais à esquerda no hemiciclo de São Bento têm abusado. E até eu, que sou uma apreciadora nata de piadas, já estou um tanto ao quanto cansada. Catarina Martins, uma das cabeças do Bloco, a cada aparição pública repete sempre a mesma graçola: "é preciso derrubar o governo e rasgar o acordo com a Troika". Ora, da primeira vez eu ri-me, achei piada, num estilo trágico-estúpido tem piada. Mas, de cada vez que lhe dão os 40 segundos de tempo de antena a senhora repete sempre a mesma deixa. Não sei se perderam o argumentista ou se, vá na loucura total, eles acreditam mesmo no que dizem. Embarcando no reino da fantasia, se de facto depuséssemos um governo que foi democraticamente eleito e fizéssemos um manguito à Troika o que aconteceria? Primeiro quem poríamos lá no lugar do governo? O grilo falante do Tozé? a Catarina? que não é grande, já que precisa de outra cabeça para liderar um partido com 8 deputados. O Jerónimo? que mais parece o Ferrão da rua Sésamo sempre rabugento, sempre do contra. (um aparte, o que eu gostava do Ferrão e do Conde de Contarrrr). Embarcados que estamos na fantasia, vamos supor que optamos por este monstro de três cabeças para habitar o Palácio de São Bento. Como é que o íamos alimentar sem o dinheirinho da Troika? Dávamos os filhos mais velhos para sacrifício? E como é que devolvíamos aos trolls o dinheiro que já gastamos? Ou não pagávamos e entravamos em "guerra"? com que armas? com pozinho de fadas?
Humm! Não sendo eu um Grimm, acho que falta qualquer coisa neste conto para se chegar a um final feliz ou, pelo menos, a um final com piada...