terça-feira, 30 de abril de 2013

Máxima e um Momento Máximo...



"Adiós Nonino" de Astor Piazolla,
o tango tocado por Carel Kraayenhof 
no casamento de Máxima Zorreguieta & Guilherme Alexandre,
os novos reis da Holanda a partir de hoje.


02/02/2002
Para quem não sabe este casamento fora permitido após longos debates políticos  mas a presença dos pais de Máxima fora proibida na cerimónia... à excepção dos irmãos.
Para poder casar com Máxima, uma "estrangeira", plebeia, católica e filha de um ex-político da ditadura militar de Jorge Rafael Videla, o Príncipe herdeiro precisou de uma votação no Parlamento holandês (e sim isto aconteceu já no século XXI).
O pai da noiva, Jorge Zorreguieta, integrou o governo argentino como secretário da Agricultura e da Pecuária (1976 - 1983) durante a guerra suja, quando o regime militar sequestrou e matou milhares de pessoas (supostos militantes) cometendo graves crimes e violações dos Direitos Humanos.
A ausência dos seus progenitores deu um toque amargo ao casamento, mas foi de particular emoção e beleza, o momento em que a "Argentina" e o seu pai vieram até si no dia do seu casamento, pela força de uma música... (e que música!)
Emocionada, a noiva chorou ao som deste maravilhoso tango "Adiós Nonino", de Astor Piazzolla (composto em 1959 dias após a morte do pai deste, Vicente “Nonino” Piazzolla, anos mais tarde Piazzolla declarou, ser este o seu tango "número um") pois naquele momento, a agora Rainha, estava a ouvir uma das músicas favoritas do pai ausente... no dia em que é suposto um Pai acompanhar e entregar uma filha... 

Amor é isso, ganhar a guerra! 
(e o resto são conices...)

Em condições normais o FCP seria campeão, em condições anormais... (faltou-nos meio Mourinho)


Tenho uma confissão a fazer: eu leio a Bola. Sim, esse pasquim vermelhusco, bastião do parcialismo e praticante do futebol monocromático. Leio porque me diverte mas, acima de tudo, leio porque não quero ser como aqueles que o escrevem. 
Não gostando muito do Miguel Sousa Tavares romancista, ou até mesmo do comentador de política e actualidade que tem uma visão critica sobre tudo (Miguel pá, tens de refrescar a crónica no Expresso estás sempre a bater nos mesmos), a verdade é que gosto do  Miguel Sousa Tavares portista. E à terça feira chegar à página da Nortada depois de uma intoxicação vermelha é sempre um porto seguro. Hoje não foi diferente e, numa carta aberta escrita ao ilustríssimo Eduardo Barroso (que nunca deveria ter-se desviado do caminho de casa para o hospital e deste para casa), diz as coisas como elas são:

"o slb é hoje dono de um estatuto, um triste estatuto, que eu devo confessar que também já foi nosso o de ser o clube que, fora do universo dos seus adeptos, é o mais desprezado de todos".

A diferença entre os verdadeiramente grandes e os que vivem à sombra da grandeza de outros tempos está precisamente no saber ganhar e, saber ganhar, também se aprende, é preciso é ganhar muitas vezes, o que não está ao alcance de muitos. 
Em 30 e qualquer coisa anos de portista, não tenho memória de passar uma época sem ganhar absolutamente nenhum título. Se fico danada? Fico especialmente porque tínhamos equipa para ir muito mais longe em todas as competições. Não fomos porque não tivemos treinador. Custa perder a faixa de campeão? Custa (principalmente para o benfas) mas, sabemos que fizemos por o merecer. Apesar de ser um título com "capelas" e longe de ser limpinho, limpinho nós não ignoramos a nossa culpa na perda deste campeonato, não fizemos o que nos competia e por isso perdemos. O que não muda o nosso destino...



 

Argentina, o país do momento...

Já tinham o melhor jogador do mundo...
Já tinham o Papa...
E agora têm uma Rainha na Europa...

E têm o tango!!!



Carlos Gardel - Por una cabeza



Bang Bang... my baby shot me down


"I was five and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down.

Seasons came and changed the time
When I grew up, I called him mine
He would always laugh and say
"Remember when we used to play?"

Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down.

Music played, and people sang
Just for me, the church bells rang.

Now he's gone, I don't know why
And till this day, sometimes I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie.

Bang bang, he shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down..."
Nancy Sinatra




Como luna en el agua...

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"Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como una luna en el agua.
 
 
               

                                                                                                       Rayuela, Julio Cortázar.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

o Pablito é que sabia...



 

soo tired... it's time to wake up


Depois de um sábado fodido a trabalhar (das 10h até às 03h de domingo), apenas adormeci às cinco da manhã e passei o domingo na cama...
Hoje de madrugada acordei com febre e a delirar, dois brufenes para o bucho e voltei a ficar na cama.
Acordei como nova. Tomei um  longo banho e almocei satisfatoriamente bem.
Saio de casa às 14h para trabalhar, já fiz alguns "favores" (o que até gosto) e chego à conclusão que tristezas não pagam dívidas...
 
"You gotta love living, baby, because dying is a pain in the ass."
Frank Sinatra

Manhã brutal...

Hoje, dia de regresso ao trabalho depois de uns dias de relax, a manhã foi brutal!!

  • O despertador não tocou; ( na realidade ele tocou eu é que não acordei, só ao segundo round é que acordei)
  • O carro não pegava!
  • Esquecei-me de meter gasóleo então tive que dar uma volta imensa para o fazer!
  • Na correria na estrada, um estupor de uma velha aparece a atravessar de repente e quase que a atropelava, pensei que ia ter uma síncope de tal forma o meu coração ficou acelerado!
  • Chegando ao escritório, bem é melhor nem falar nisso...
E o dia ainda vai a meio...

Painting & Poetry XIII


Maurice Denis



Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...


 
Miguel Torga

domingo, 28 de abril de 2013

uns dirão que é falta de fé...


Jules Jacques (1866-1900)
Dunes dans le grand Erg


Hoje pssei o dia com um aperto na alma. Uma daquelas angústias que não se explica, que não sabemos o porquê, apenas bate e assola.
 
 

sábado, 27 de abril de 2013

I wonder if...


Palavras que me disseram...

 
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional." Carlos Drummond de Andrade
 
Num dos "cafés" com o amigo do amigo* ele diz-me estas exactas palavras "A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
Desde então, que as mesmas não me saem da cabeça... (nas nossas partilhas, discussões e devaneios, ele defende as palavras, eu as atitudes!!!)
Hoje, na procura de um poema de Carlos Drummond de Andrade, encontro-as, assim como estas:
 
"Falar é completamente fácil,
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá."
 
Carlos Drummond de Andrade
 
Há 10 anos atrás pensava como ele... dava extrema importância às palavras, fosse para o bem ou para o mal. Era nova e, uma simples palavra podia mudar a minha disposição, o meu humor, o meu dia. Agora sou mais pelas atitudes... estas sim, são o que realmente importa! E gosto de sentir isso... esta evolução em mim, o pensar diferente, tinha 20 agora tenho 30! E gosto. Muito.

*Nunca te disse em palavras mas disse-te em gestos...

Não deixe o Amor passar...

sd
 
"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR
."

Carlos Drummond de Andrade


(mas toda a gente me diz para deixar passar...)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Esta ponte não me levou a lado nenhum...


 
Uma pessoa tira o dia de férias para organizar umas coisas em casa. Primeira tarefa, guardar a roupa de Inverno e resgatar a de Verão do fundo dos armários. Esvazio os gavetões e armários para cima da cama. Toca o telefone. Aparentemente os problemas não fazem ponte. Meia dúzia de telefonemas depois, uns desentendimentos e uma possível acusação por desacato à autoridade, volto aos meus afazeres. Olho para a confusão em cima da cama. Foda-se! agora não me apetece. Acabo de almoçar. Continua a não me apetecer encarar a confusão. Próxima tarefa: comprar umas coisas na net e procurar um vestido para a comunhão da M. Adormeço ao ver umas quantas centenas de vestidos, nenhum que me deslumbre by the way... Acordo com o telefone. Segundo pepino do dia. Mais uns telefonemas, uns quantos emails e fico a saber que tenho uma reunião às sete (foda-se, foda-se, foda-se! e o pior é que sei que não vai ser bonito). Retomo aos vestidos. Estou tentada a comprar dois, porra a eterna problemática do tamanho, 8 ou 10?! Não estou com paciência para isto! Nem para arrumar a roupa que continua em cima da cama. Mais um telefonema. Lucky me! outra reunião às 21:30! Respiro fundo... Ainda é possível salvar o dia. Vou buscar o A. à escola, vamos lanchar e dar uma volta ao parque... A roupa vai continuar em cima da cama, provavelmente até à hora de me ir deitar... logo se vê...
 
 
 
 

More than words... XXIV

 
 

Quanto custa a Liberdade?




Ontem tinha uma sessão solene comemorativa do 25 de Abril. Faltei. Perdoem-me os abrilistas, estou muito grata a todos os que, de forma honestamente desinteressada, levaram a cabo esta revolução e restabeleceram a democracia no nosso país. Sou filha da liberdade, não saberia viver noutro regime que não democrático mas, a verdade é que acho que comemorar o 25 de Abril hoje faz tanto sentido como celebrar a descoberta do caminho marítimo para a Índia. Foi um acontecimento histórico, mudou o rumo do nosso país, como revolução teve um lado poético, literário, ficará muito bem em romances de época contudo, é agora tempo de a devolver aos livros de história de pensar o futuro dentro da realidade que hoje é a nossa. Os discursos do 25 de Abril são ocos e fantasmagóricos. Evocam-se os valores de Abril como se dos 10 mandamentos se tratassem. Há um aproveitamento e um romancear de uma revolução que na verdade, e tendo em conta todo o contexto político da Europa de então, era uma inevitabilidade. Os valores de Abril assentavam essencialmente em dois pilares: democratização e descolonização. Estes valores, bem ou mal (a vergonha que foi o processo de descolonização deveria  fazer corar os pretensos e mediatizados heróis de Abril) foram cumpridos. Salazar está morto e enterrado, assim como o seu estado. Na actual conjuntura europeia, o surgimento de uma ditadura (pelo menos política) é impensável contudo, os ideais de esquerda (pouco escrupulosa) que governam este país há 40 anos insistem em relembrar o fantasma assustando o povo e acenando com o bicho papão. Tenho todo o respeito do mundo por aqueles que sofreram as consequências da tirania mas, não compreendo, nem aceito, a necessidade de manter esse fantasma presente impedindo a reflexão limpa e contextualizada da situação actual. E o que, a situação actual nos mostra é que as políticas que nos têm regido nos últimos 40 anos sãos insustentáveis, incomportáveis e ruinosas.
Gritam pela liberdade mas esquecem-se que a liberdade traz responsabilidades. Como um filho que ao cumprir o seu 18º aniversário se julga senhor de si mas, continua a viver às custas dos pais. É necessária uma consciencialização, a liberdade tem custos. Mais liberdade significa menos Estado e esta é a verdade que o povo que canta ainda não ordenou.
 
 

Concertando...


 
 
Ontem, e após vários meses de espera ansiosa, fomos ao concerto da Marisa Monte ao Coliseu do Porto. Sala mítica, intimista, uma das cantoras brasileiras preferidas, as expectativas eram altas apesar de não estar muito familiarizada com este álbum (passei os últimos dois dias a ouvir em loop, no You Tube, alguns dos temas para não fazer má figura).  A cenografia, pensada por artistas brasileiros contemporâneos era muito interessante, a banda, composta essencialmente por instrumentos de cordas, estava harmoniosa, a voz dengosa da Marisa no ponto certo e as letras, poemas fantásticos que nos transportam para a nossa realidade, pareciam os ingredientes suficientes para um excelente concerto. Mas, faltou ali algo. A Marisa é uma intérprete primorosa, uma excelente compositora mas não é um animal de palco. Faltou a ligação com o público, a interacção, aquilo que para mim faz toda a diferença entre um bom concerto e um grande concerto. Não sou grande fã de coreografias e produções hollywoodescas nos concertos (daí não ter gostado por aí além de Madona) o que gosto mesmo é da comunhão entre músicos, música e público. Ontem faltou essa comunhão. Não deixaram de ser duas horas bem passadas e, apesar da desilusão, não me fez gostar menos de Marisa. Talvez um dia lhe dê uma segunda oportunidade.
 
(As horas que se seguiram foram também muito interessantes... uma francesinha fora de horas - do melhor que há, uma noite de lua cheia com uma temperatura agradável e o ambiente descontraído da Galeria de Paris e muitas gargalhadas entre amigas porque, às vezes, a vida é simples...) 
 
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Bora pic-nicar?

 
Hoje é dia de convívio e cultivar relações como diz a nossa Isa!!!!!!!
Tamos juntas é o que interessa... o resto que se foda.
 
 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Eu estava a matar o bicho... II

"O caminho que eu escolhi é o do amor. Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar. Escolhi ser verdadeira. No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem. É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver."
Clarice Lispector
 
Ontem numa troca de emails com uma das minhas consultoras de tudo e mais alguma coisa relativamente a este assunto recebo o seguinte conselho da Caríssima MisS,
 
"Tens de ser tu a pegar nas rédeas que ele já mostrou não saber o que fazer. Mas vai com cuidado, não queremos que te espetes... diz-lhe as merdas mas com calma e naturalidade, não entres a matar logo. "

”não entres a matar logo”… EU NÃO SEI FAZER ISSO!!! Achas? 
A  P. no Brasil disse-me isso mesmo … eu entro logo a matar e assusto-os."
 
(apesar de duas pessoas terem-me aconselhado a ter calma, ontem à noite já levou o recado...
Eu pensava que não estavas interessado na minha companhia!)
 
Até quero ver o que ele vai dizer/fazer em relação a isso... NADA.

Can you climb it?



terça-feira, 23 de abril de 2013

Receita para o vazio



Quando a mente teima em não parar de pensar, quando já nos assombra com determinado assunto, a solução é cansar o corpo. 8km de caminhada junto ao rio a ouvir a água a cair em cascata e a calmaria a instalar-se na cabeça. Sentir o corpo exausto e não pensar em nada... Porque às vezes a irracionalidade é uma benção...




 

Não sei se ria ou se chore...

A verdade é que ainda me estou a rir com esta notícia, mas pensando bem é de ficar preocupada, porque esta lunática ignorante ainda pode vir a ser alguém com capacidade de decisão ainda mais tendo em conta que é americana, e, caso isso algum dia aconteça o mundo estará  definitivamente perdido, ou melhor fodido!!!!
O facto é que a burra (desculpem mas não encontro outro adjectivo para ela) diz as seguintes pérolas numa entrevista em que comentava o atentado em Boston.

"We don't know everything about these suspects yet," Palin told Fox and Friends this morning, referring to Tamerlan and Dzhokhar Tsarnaev, who allegedly carried out the Boston Marathon attacks. "But we know they were Muslims from the Czech Republic.
"I betcha I speak for a lot of Americans when I say I want to go over there right now and start teaching those folks a lesson. And let's not stop at the Czech Republic, let's go after all Arab countries.
"The Arabians need to learn that they can't keep comin' over here and blowing stuff up. Let's set off a couple of nukes in Islamabad, burn down Prague, then bomb the heck out of Tehran. We need to show them that we mean business."
E quando muito educadamente os apresentadores lhe apontaram os erros geográficos e não só, ela não desarma e responde o seguinte!!
"Steve, that's probably one of the most ignorant things I've ever heard. How is Czech Republic not a Muslim country? You saw those brothers, they were Islamic and they were Chechen!"
"What's the difference?" Palin responded. "Isn't Russia part of the Czech Republic?"

Mas há mais, muito mais para ler e para rir que a mulher é persistente nas suas convicções!!!

Eu estava a matar o bicho...

Acabei de receber uma sms... que não estava à espera!

e tem a ver com isto e isto...

"Então, e como sempre, era só depois de desistir das coisas desejadas que elas aconteciam."
Clarice Lispector

Foda-se. Foda-se. Foda-se.
(e não sei o que responder...)

Amanha é dia de soltar a franga...


 
Amanhã vai "descer em mim" a Mona do Brasil...
Fujam!
 


Como é a tua Mona?

 
 a minha é fodida...


Um dos livros de minha vida...


P.Q.P.

Há gente muito doente... (e é dessas que eu tenho medo)
 
 
P.S. Mas já dizia o meu Caro Sidhartha Gautama: "Três coisas não podem ser escondidos por muito tempo: o sol, a lua e a verdade."

Coisas da Isa#2


Sem trabalho não há nada! Um bom dia de trabalho para todos.

Coisas da Mona XLIV


I don't talk to you...
You don't talk to me.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

More than words... XXIII



& just to know it's a huge butt...

 

Coisas da Mona XLIII


O primeiro sintoma... foi aqui,
cansei de dar e não receber.
cansei de esperar.
cansei de te desejar (mas não totalmente...)
 
Escolho-me a mim... porque te amo sozinha!
Se é para te amar que seja longe... muito longe.
 
Já comecei a fazer a mala...
A minha decisão está tomada.

More than words... XXII


Frase do dia...



P.S. Sim está relacionado com o nosso novo leitor anónimo...que palpita-me é mesmo uma leitora...

Conclusões de um brainstorming feminino de sábado à noite...

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Querem uma mulher independente mas, sentem-se humilhados se ela ganhar mais.

Querem uma mulher inteligente mas, ficam intimidados perante uma argumentação sólida.

Querem uma mulher bonita mas, reagem mal quando outros apreciam a beleza.

Querem uma mulher que saiba cozinhar mas, estão sempre a falar na comidinha da mãezinha.

Querem uma mulher compreensiva mas, não gostam de condescendência.

Querem uma mulher companheira mas, têm ciúmes dos próprios amigos.


E as complicadas somos nós????



domingo, 21 de abril de 2013

Painting & Poetry XII


Henri De Toulouse-Lautrec


Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

O que choro é diferente
.

Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.


Não sei o que é nem consinto

À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem
.
 
Fernando Pessoa

Domingo perfeito!!

Hoje a tarde passou-se assim, com muito sol como se desejava á muito tempo!!
Para ser perfeito agora falta terminar o dia a jantar uma deliciosa francesinha e a ver o benfas a levar no pêlo!!!!

Desejo para a noite de todos os macho alfa adeptos de um certo clube menor...



Happens a lot...


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sexta-feira, 19 de abril de 2013

And all I loved, I loved alone... *





Dizem que é preciso coragem para viver um amor. Eu não concordo. Esta é uma viagem que se faz a dois, de mãos dadas, amparado, protegido. O caminho pode ser tortuoso, podemos cair, magoar-nos mas eles estão lá, dois braços que nos ajudam a levantar, que nos abraçam, que nos resguardam, nos aquecem.
A solidão requer muita mais coragem. A solidão é coisa apenas para os mais bravos. O silêncio, o escuro, os ventos são fantasmas que se digladiam num assustador singular. E, desengane-se quem pensa que a solidão é uma condição involuntária. Amar-nos ao ponto de largar o que amamos porque nos faz mal, preferindo assim a dor da solidão, é o um acto de grande coragem. Abandonar uma solidão povoada para viver a sós a sua própria solitude revela firmeza titânica. Enfrentar noites escuras, lençóis frios, recordar cheiros, palavras, refrões, acordes. Sonhar com o que podia ter sido se... apesar de, no fundo, sabermos da impossibilidade desse se. Recordar momentos bons que, doem agora mais que os maus.  Porque os maus ajudam a odiar, a esquecer  porém, são os bons não nos permitem deixar de amar. A solidão não é má, não é estigma. A solidão é auto-conhecimento, é amor próprio, é  dor que cura. É o caminho para o encontro...
 
 
* Edgar Allen Poe
 
 

Porque hoje o Rei faz anos!!!

Hoje Roberto Carlos faz anos!! E eu que cresci a ouvir as musicas dele, minha mãe e minhas tias eram fãs histéricas fiquei também fã, não tinha como escapar, conheço muitas musicas dele e gosto e vou aqui confessar uma coisa o primeiro concerto que assisti na vida foi do Roberto Carlos no fantástico Estádio das Antas, eu devia ter uns 10anos e minha mãe e minhas tias que foram realizar um sonho levaram-me junto pois eu cantava as musicas juntamente com elas...
Deixo aqui a minha música favorita dele aqui cantada pela minha cantora brasileira preferida a fabulosa Marisa Monte!!!

230 macacos no galho...



Eu não me importo de pagar impostos. É o preço de viver em sociedade, compreendo-o e aceito-o. Porém, de cada vez que olho para as bancadas da Assembleia da República e penso que são os meus impostos que pagam o salário àqueles indivíduos choro cada cêntimo. A opinião pública, manietada pela comunicação social tendencialmente esquerdista e pelos opinion makers que, à boa maneira portuguesa, encarnam o velho do Restelo,  bombardeia diariamente o Governo. Não digo que este seja competente, ou que esteja a fazer um trabalho primoroso. Têm grandes talentos individuais, ainda não provaram o seu valor como equipa mas e, a verdade é que, eles são  bonecos de matraquilhos e jogam como lhes mandam. Já a oposição não tem desculpa para a sua mediocridade. Enquanto os mais à esquerda continuam a viver numa bolha que paira sobre um mundo idealista, onde a Coreia do Norte não é uma ditadura, os socialistas exibem gabarolamente a incompetência bem ilustrada na cara apatetada do seu secretário geral. 
O semiciclo é um teatro inspirado pelas tragédias gregas mas, e se no tempo dos senadores da Ágora, aquelas demonstrações retóricas eram interessantes hoje, as que assistimos hoje são ocas e desprovidas de resultados. A preocupação maior é o ataque aos partidos da oposição, a discussão raramente revela seriedade e as palmas dos torcedores de bancada (os deputados a quem foi distribuída, no início da magistratura, a tarefa de cheerleading) fazem aquele espectáculo assemelhar-se mais a um campeonato regional do que ao Parlamento de um país desenvolvido. Como cidadã sinto-me ofendida quando assisto a uma sessão plenária. Não consigo identificar uma vontade comum entre aquelas 230 almas para levar este país a bom porto. O partidarismo suplanta o patriotismo e essa é a maior dívida que este país tem. 
  

Coisas da Isa#1

Cada vez estou mais minimalista e cada vez gosto mais.
Adoro destralhar e dar prioridade ao que é mais importante.
Sinto que este é o caminho para abandonar de vez as minhas paranóias e que me sugam o tempo todo.
É o desapego total relativamente ao que é supérfluo e o regresso ao essencial.

Músicas que mexem comigo#52

Barão Vermelho
Amor meu grande Amor




quinta-feira, 18 de abril de 2013

Átame!

 
 
...

God is busy, can I help you?



 
 

More than words... XXI

 
os putos...
os fracos...
os cobardes...
os conachas...
os merdosos...

vivo rodeada deles.
 

Meu momento Zen...

Hoje sem contar tive de ir a uma reunião á Foz no Porto, para fazer um favor a uma colega/amiga, momentos antes de sair recebo um telefonema de um cliente a querer marcar uma reunião para a hora seguinte, eu disse que sim mas que talvez me atrasasse um pouco que seria melhor marcar um pouco mais tarde ele concordou mas insistiu para eu não me demorar porque tinha outros compromissos depois. Então lá vou eu para a Foz em grande velocidade, chego ao local com o stress esqueço as indicações que minha amiga me tinha dado e tenho que lhe ligar, quando encontro o local não tenho estacionamento e tenho de andar ás voltas, consigo chegar á reunião e enquanto vejo o tempo a passar tento resolver o que me levou lá ao mesmo tempo que atendo o meu telefone que não para de tocar, ora um colega que é um nó cego e que estava todo aflito porque eu não estava no escritório e havia um problema ( para ele complicadissimo de resolver mas que eu resolvi em segundos pelo telefone) ora o patrão a perguntar se eu demorava porque queria fechar um negócio importante mas queria falar comigo primeiro para saber a minha opinião, enfim lá consigo terminar olho para o relógio e com pouco tempo corro para o carro, quando estou a arrancar por um segundo olho e vejo o mar lá ao fundo, e, nesse momento penso "que se fodam todos!" e vou paro o carro junto ao mar, deixo os telemóveis lá dentro e por apenas 5 minutos fico ali a olhar o mar, aquela imensidão, a sentir aquele cheiro tão característico a cloro das praias aqui do Norte, e esqueço tudo e todos e aqueles 5 minutos dão-me uma nova força, um novo ânimo, e vou para o carro com nova alma! Claro que mal entrei no carro o telefone começou a tocar, e chego ao escritório e, de novo, meu colega nó cego está com outro problema e eu tenho de contar até 10 e respirar e me transportar para aqueles momentos junto ao mar...

Coisas da Mona XLII


Ontem foi o meu primeiro dia de "Voluntariado" (6 meses depois do primeiro contacto), acharam que eu seria um bom exemplo para 18 adolescentes (problemáticas) com idades compreendidas entre os 14 e os 20... Fui jantar à Santa Casa da Misericórdia cá da terrinha para as conhecer e hoje combinei uma caminhada com elas porque todas querem emagrecer...
 
O problema é que eu não sou exemplo para ninguém... estou assim! Em pânico!
 
Confesso que até me senti mal de tantos elogios que recebi, por eu ter tanto e, elas tão pouco... ou era o relógio, as pulseiras (que o meu irmão chama de xingalhada), a roupa, as sapatilhas... prometi levar-lhes algumas peças e fazer umas brincadeiras com roupa e tachas e ajudar no que puder. Agora só tenho que ir a casa, e trazer as milhentas merdas que guardo, acumulo, porque já há anos que não as uso (nem me servem)... com isto, a minha mãe é que vai ficar contente, ou pelo menos vai deixar de me foder a cabeça, parece que o closet vai levar uma boa limpeza... É que eu guardo tudo!

Ossos do oficio....

Considerando o preço que os clientes actualmente estão dispostos a pagar por um espelho, já faltou mais para lhes fazer esta proposta

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Cansada...


Vou deixar rolar... e depois logo se vê.

A (má) sorte da Jacinta...


A Jacinta é uma mulher da aldeia. Ar saudável, faces rosadas, corpo largo e ancas parideiras. É bonita a Jacinta no seu jeito de ser. A Jacinta é rapariga trabalheira, de famílias simples mas honradas. É uma moça casadoira mas, quis o destino, que ninguém pegasse na Jacinta. Ninguém, naquela aldeia, compreende porque é que a Jacinta não arranjou homem. Por isso a Jacinta, com os quase quarenta anos, carrega o selo de solteirona. Mas Jacinta não é não é mulher de desistir e se conformar com o destino e, vai daí procurou no mundo o que não encontrou na sua aldeia. Conheceu o Fernando no Facebook (ou no computador, como diz a sua mãe) e anda numa alegria só, de mão dada pela sua terra com o seu namorado! Dizem os vizinhos que aquela é a alegria que só um homem pode dar a uma mulher, que agora Jacinta já conhece a vida. Mas, não saiu da boca do povo a má sorte da Jacinta. É que, parece, que o Fernando é feiinho que dá dó, dizem que não teve a graça do Senhor quando nasceu. Nunca a aldeia viu pessoa tão feia e, a pobre da Jacinta merecia alguém "mais bem apessoado". Há até quem já reze para que as crianças, se um dia as houver,  não saiam ao pai! Citam o ditado popular "quem feio ama bonito lhe parece" apenas para dizer que, no caso do Fernando, até quem o ama se assusta. Os pais da Jacinta estão apreensivos, alegram-se com a felicidade da filha mas, aquele "home que é tão feio que mete medo ao susto" e que "veio lá dos computadores, que ninguém conhece", não transmite confiança. Diz o povo que "estava melhor solteira a Jacinta mas, agora que ela provou do que é bom não vai querer largar". Mas, o povo não sabe o que quer e o importante é que a Jacinta está feliz e já não morre sem "conhecer a vida"


(Esta história foi-me docemente contada pela madrinha da Jacinta hoje pela manhã e é responsável pelo sorriso que carrego desde então.)


Venha o diabo e escolha...

Porque eu sinceramente não sei qual é pior...


terça-feira, 16 de abril de 2013

Hoje é um destes dias...




Há dias em que acho que a humanidade é um desperdício de recursos naturais, que não valemos o chão que pisamos. Há dias em que penso que somos o pior erro da Natureza, pior que um terramoto ou um maremoto, pior que todas as catástrofes juntas. Há dias em que acho que não somos sequer obra da Natureza, antes um parasita auto-gerado dos dejectos de outros seres. Há dias em que olho para a complexidade das pessoas e não vejo um milagre mas um erro crasso, as ambições desmedidas, as crenças invioláveis, a individualidade, o egoísmo, o egocentrismo, a maldade gratuita, o ódio exacerbado, a inveja infundada. Há dias em que olho para a humanidade e não lhe reconheço humanismo. Somos apenas pontos numa mancha sem forma ou conteúdo. Há dias assim.



Coisas da Mona XLI


 
 1 mês...

Reality sucks


Uma pessoa passa uns dias refugiada num pequeno paraíso, com uma paisagem soberba, entre montes coloridos e o azul do mar, em perfeita harmonia com a natureza e os seres que a habitam. Não  vê televisão, não lê os jornais, passa apenas os olhos pelas gordas na net (não vá o mundo acabar e não dar por isso).   Troca algumas impressões com  estrangeiros, alimenta uns dedos de conversa com portugueses simples e, por isso, interessantes. Não se abordam temas complicados como crise,  troika,  chumbos,  politicas ou poder. Fala-se de nós e assim damos um bocadinho do que somos. Cultivam-se as relações humanas e, por momentos, acreditamos que vivemos numa sociedade civilizada.
Então regressa, e volta a ler os jornais, a ver os noticiários na TV e a realidade bate com toda a sua dureza: vives num mundo de merda e num país de caca...


Tu és mais bonita do que pensas!!!

Nova campanha da Dove sobre a Beleza Real das mulheres, para ver e pensar...


Pensar que apenas 4% da população feminina mundial se acha bonita...

Oportunidade boa de negócio

Acho que vou emigrar para a Venezuela e abrir lá uma fabrica de fatos de treino, é que a avaliar pelas altas esferas do país que usam e abusam dessa peça aquilo lá deve vender e muito!!





segunda-feira, 15 de abril de 2013

Obrigado Algarve! Até já Norte!




O Rali no Norte é:

- acordar às cinco da manhã,
- carregar o carro com comida e bebida,
- estacionar muito longe do troço
- andar quilómetros a pé,
- ver o povo que dormiu ao relento despertar, a acender os fogareiros, a grelhar as fêveras para o pequeno almoço, as dezenas de garrafas de cerveja perfiladas como troféus
- chegar ao troço  4 horas antes e não haver lugar junto às fitas
- partilhar farnéis, provar o vinho e o presunto do grupo ao nosso lado que insiste pois é caseiro e não há melhor.
- esperar horas debaixo de sol ou chuva enquanto o povo canta o hino, encena a onda, conta anedotas, partilha histórias, e um artista compõe música com uma motosserra...
- chegar a casa muito suja e muito cansada.


O Rali no Sul é:

- acordar às 8 da manhã;
- estacionar ao lado do troço;
- ter lugar junto às fitas
- almoçar na tenda do ACP;
- descansar na esplanada debaixo de um guarda sol, junto ao ecrã gigante enquanto vemos as outras classificativas;
- ver a segunda passagem
- sair descansados do parque de estacionamento e chegar ao hotel ainda a tempo de desfrutar o final da tarde.
- ir à marina de Vilamoura à noite e sentar numa esplanada ao lado de um piloto que admiras.


Para o ano o Rali regressa ao norte. Se estou feliz? Muito. A essência do rali, aquilo que me faz gostar e vibrar por este desporto, é vivida com muito mais intensidade a Norte. Assistir àquele espectáculo rodeado de milhares de pessoas que partilham a mesma paixão sobrepõe-se ao conforto. É um pouco como ver a bola no estádio ou sentados em casa no sofá. 
Ao longo destas 7 edições do Rali de Portugal a sul, assisti ao enamoramento dos algarvios e dos alentejanos por este desporto. No primeiro ano, olhavam, da soleira da porta das suas casas caiadas, com alguma desconfiança para os fãs, de aspecto duvidoso e com grande teor alcoólico, que invadiam os seus montes e perturbavam a sua paz. Mas, o rali é uma festa, onde não há rivalidades nem lutas ou disputas entre aficionados. Todos torcem essencialmente pelo espectáculo em si, o que torna este um desporto único. Portugueses, espanhóis, finlandeses, noruegueses, ingleses, alemães, japoneses, todos convivem animada e pacificamente. Aquele povo aprendeu a gostar também desta festa e soube receber muito bem o rali. Ontem, a D. Olímpia, uma simpática alentejana que habita num monte perdido algures pelos lados de Almodôvar,  e que resolveu fazer o almoço de Domingo junto ao troço para ver a festa, contava-me que estava muito triste por perderem o rali que ela já tanto gosta. Dizia-me que passou a semana toda a rezar a nossa Senhora para que ninguém se magoasse, pois "isto é muito bonito mas também muito perigoso". Sentia-se a nostalgia dos portugueses do sul à partida do rali (não serão alheios os 50 milhões de euros de retorno só em hotelaria...), o desporto que aprenderam a gostar, a explorar, a entender. (Eu também terei saudades daquela paisagem, absolutamente assombrosa, com os montes coloridos, e um verde de uma tonalidade muito diferente do meu Minho.) Mas, é hora de o rali regressar a casa. Obrigado Algarve. Até já Norte!

domingo, 14 de abril de 2013

Painting & Poetry XI


Frida Kahalo



Vivem em nós inúmeros; 
Se penso ou sinto, ignoro 
Quem é que pensa ou sente. 
Sou somente o lugar 
Onde se sente ou pensa. 

Tenho mais almas que uma. 
Há mais eus do que eu mesmo. 
Existo todavia 
Indiferente a todos. 
Faço-os calar: eu falo. 

Os impulsos cruzados 
Do que sinto ou não sinto 
Disputam em quem sou. 
Ignoro-os. Nada ditam 
A quem me sei: eu 'screvo. 

Ricardo Reis