terça-feira, 14 de agosto de 2012

Hoje o dia amanheceu atribulado...

 Às 7:30 da manhã, debaixo da minha varanda, dois homens e uma mulher discutiam calorosamente à chuva. No meio dos berros e insultos, falavam português e francês. A mulher estava a sangrar dos joelhos, após ter caído, ao rebentar as sandálias, enquanto tentava escapar à fúria do namorado. Acatava a carga de porrada com complacência e apenas dizia: "mon amour" "je t'aime, mon amour". O namorado insultava-a em bom português (nada como o calão português), pontapeava-a e esbofeteava-a. O amigo do namorado apenas dizia, com voz condescendente: "tens de aprender a respeitar o meu amigo". A minha primeira reacção foi a de atirar um vaso à cabeça do agressor contudo, depois teria eu de enfrentar a fúria da minha mãe (por ter partido um vaso), além de ter que limpar a porcaria toda do passeio e correr o risco de ser processada pelos 3 por tentativa de homicídio.Foi então que anunciei, do alto da minha varanda, que iria chamar a polícia. Todos gritaram em uníssono para não fazer isso e, abandonaram o local para irem terminar a discussão umas ruas mais à frente.

Arrependi-me de não ter chamado a polícia, aquela cena perturbou-me. Não tanto pela violência física mas, pela atitude subordinada da senhora. Não sei o que é que ela fez, certamente  nada que merecesse aquela carga de porrada embora, ela parecesse achar o contrário. Confesso que não entendo como é que alguém pode amar desta forma doentia. Levar porrada no meio da rua, ser insultada e ainda chamá-lo de meu amor!! Isto não é amor é doença, e as doenças tratam-se...

1 comentário:

Eduardo Hürst disse...

Sim, concordo. Amor próprio, auto respeito, perdeu-se pelo caminho ... Se fosse amor, dariam-se as mãos e se perdoariam...
Como não é, fala-se palavrões, xingamentos, agressividade física e verbal.
Lamentável cena...
Lamentável humanidade...