sábado, 7 de dezembro de 2013

Das palavras dos outros...


                   O Amor da minha vida

O vento soprava, não sei de que lado. Soprava forte quando me fizeram a pergunta. Qual é o amor da sua vida? Gelei com a força do vento. Em tempos diria com facilidade que era o Senhor Jesus. Hoje o peso da idade faz-me pensar duas vezes. Três ou quatro. O peso da idade faz-nos pensar muito antes de dizer as coisas. Eu quero que seja o Senhor. Gostava que fosse Ele. Mas olho em redor e vejo tanta gente que me escolhe no amor. Poderia também desculpar-me com a minha mãe. Ou até o meu pai. Ou até a Igreja. Mas sou um simples humano que, como tal, peregrina buscando o amor. Buscando-o na vida e nos outros. São os amigos, respondo. Então o senhor padre não tem em Deus o seu maior amor? E eu respondo convicto, sem pensar mais que meia vez. Esse é o maior amigo. E o vento leva as minhas palavras, não sei para que lado. Mas leva-as. Leva-as na certeza de que a algum lado irão parar. Talvez cheguem a Deus e Ele me compreenda que, com o avançar da idade, a gente deixa os ideais para procurar a realidade, a certeza do que se vive. E que só O consigo encontrar na vida que vivo e com quem a vivo. Só através disso e da felicidadeque me advém dessas experiências ou vivências. Chega de ideias abstractas, pensamentos teológicos, morais ou litúrgicos. É na vida que vivo e com quem vivo que encontro o Amor da minha vida.




(este texto foi retirado do blog de um padre. Há muito que deixei de procurar auxílio espiritual na Igreja. Há muito que deixei de acreditar em padres e na instituição que estes representam. As minhas crenças, guardo-as para mim, assim como a minha relação com as divindades em que acredito, para isso não necessito de intermediários. Contudo, há algo neste blog que me apazigua, que me toca. Há já algum tempo que o sigo, e me delicio com as histórias e os desabafos de um homem que é padre mas, acima de tudo apenas humano. "É na vida que vivo que encontro o Amor da minha vida", é das frases mais bonitas e verídicas que já li. E resume tanto do que nós somos...)

1 comentário:

Inês E. disse...

Tenho uma mãe hiper católica, mas tenho as minhas "crenças". Contudo, gostei muito mas muito deste texto. Para mim mostra o "lado humano da coisa".
E revejo-me muito neste excerto "com o avançar da idade, a gente deixa os ideais para procurar a realidade, a certeza do que se vive".