segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

enter para revolução


Quando olho para trás, para aquela que é a história da humanidade, tendo a ficar rendida às revoluções. Sempre gostei de uma boa revolução (principalmente se for azul). Um ideal, uma conjugação de vontades, a luta, e finalmente a realização, arrancada a sangue suor e lágrimas daqueles que acreditaram. Devemos muito a quem, no passado, deu de si para a conquista de alguns direitos que hoje são para nós banais. Pensar que a minha mãe, até há uns anos, não tinha direito de voto, ou não podia  sair do país sem autorização do marido, é para mim medieval contudo, retrata a nossa história do século XX. Graças à coragem e acção de muitos homens e mulheres, hoje temos liberdade e, com este que é o direito mais básico vieram outros igualmente fundamentais.
Mas, ainda assim o povo está descontente. Sem exércitos, ou multidões, sem armas, ou panfletos, o povo lá vai reclamando com aquilo que acha está errado. O facebook democratizou as revoluções e, agora basta um tempo livre e uma ligação à net para começar um movimento revolucionário. As páginas reivindicativas nascem como cogumelos. Reclamam o dever de não beber mais Pepsi,  exigem a demissão do Sr. Blatter, querem despedir os motoristas do governo, querem o perdão para o cão que matou a criança, a bola de ouro para o Ronaldo, o Jesus demitido... A última página que me convidaram a "likar" era qualquer coisa como "não queremos o Cavaco a representar Portugal no funeral de Mandela". Ora, a criação de uma página deste tipo revela, além de uma óbvia falta do que fazer, uma profunda ignorância da história e um alheamento da política nacional. Mas, e acima de tudo, demonstra uma ignorância e uma falta de respeito para o gigante que foi Mandela. A principal lição que esta, que é a figura maior da história do séc. XX, é a da paz, da coexistência, do perdão.  

Concordo com a insatisfação das pessoas, vivemos tempos complicados e a sociedade não tem sabido acompanhar as mudanças económicas mas, ao invés de perderem o vosso tempo a construir páginas que apenas nos envergonham pela falta de cultura geral do nosso povo, interessem-se. Leiam. Não acreditem em tudo o que os jornais, principais culpados pela desinformação, imprimem. Vasculhem a história do nosso país, e do mundo. Talvez assim consigam compreender a difícil situação que atravessamos. Talvez assim, consigamos atingir uma sociedade mais justa, e igualitária, com políticos mais competentes. Talvez assim fiquem a saber quem foi Mandela e compreendam o legado que ele, com sacrifício pessoal, deixou para a história.




1 comentário:

Inês E. disse...

Toda a gente critica e toda a gente reivindica e quer revolucionar. Não se sabe o quê, mas quer-se. Memcionei o "episódio cavaquista de Mandela" no meu blogue, e continuo a dizer o extravasaram muito a coisa. A começar pelo Daniel Oliveira, que ao mesmo tempo que critica a decisão de 87, vem dizer em alto e bom som que Mandela foi um radical e era visto como um terrorista. Ora bem...em que ficamos? Afinal de contas, o receio de se armar a população tinha algum fundamento...