quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Quando os nortenhos perdem o Norte...



Sou nortenha convicta e orgulhosa. Orgulho-me de pertencer a um região onde as pessoas são mais extrovertidas e bem dispostas. Onde o casual impera. Onde se fala alto e elogia-se com palavrões. Sou uma Maria da Fonte quando se trata de defender o meu norte mas, nunca fui separatista (apesar de achar que o D. Afonso Henriques deveria ter parado no Mondego e atacado a Galiza...). Não compro a guerra Norte /Sul mas, aprecio o despique, que considero poder ser até saudável, com os argumentos certos. Nos últimos tempos, temos assistido ao descontentamento público de uma certa elite nortenha (leia-se portuense). Ancorados em argumentos como a mudança do programa da RTP "Praça da Alegria" para Lx, incendeiam a opinião pública com populismos. (Certamente que o facto de este ano haver eleições não terá nada que ver com estas aparições...) A estas elites preocupadas permitam-me apenas dois reparos: o primeiro é que é uma pena que só se lembrem da importância do Norte de 4 em 4 anos, o segundo é que com os vossos argumentos ocos e bacocos fazem mais mal que bem. Como nortenha, estou-me nas tintas para o local onde o programa é transmitido, por mim até podia ser em Bollywood que ia dar ao mesmo. O que eu quero, como cidadã do Norte é ver o reflexo dos impostos que pago investidos na minha região. É ter acesso aos mesmos privilégios que um português de Lisboa. Quero que os transmontanos deixem de ser obrigados a fazer a sua vida em Espanha, quero que todos os cidadãos do interior tenham um fácil acesso à saúde,  quero uma politica cultural que chegue a todo o país, quero que as crianças não sejam obrigadas a acordar às 5 da manhã para ir para a escola a 30km. Quero luz, água canalizada e saneamento em todas as casas. Quero apenas o que temos direito. E isso  não nos podem negar. Nós valemos pelo que somos e damos ao país. Pela história que encerrámos, pela indústria que desenvolvemos, pela riqueza que produzimos, pelo povo que somos. Há um descontentamento generalizado no centralismo que nos governa mas, este não é um problema exclusivo do norte, é-o de todas as regiões fora da grande Lisboa e, não pode o Porto, só porque se auto intitula capital do Norte reivindicar para si algo que mais não é que um centralismo no norte. Por muito que eu adore o Porto, cidade onde já vivi (e não excluo a hipótese de voltar a viver) não quero ver o Porto transformado na Lisboa cá do sítio, porque o Norte é muito mais que o Porto. O Norte não cabe no Porto, como Portugal não cabe em Lisboa.

3 comentários:

Mário disse...

Posso assinar por baixo??

Pulha Garcia disse...

Totalmente de acordo e olha que sou nascido, criado e residente em Lisboa ...

Bom ano para todas as moníssimas. O melhor do Mundo são as crianças-

Miss S disse...

Mário, claro que sim! É bom saber que o discernimento só falta aos opinion makers...

Pulha, o melhor do mundo são as crianças e o animais, não te esqueças dos animais...

(e, apesar se seres mouro, um bom ano para ti também ;) )