quinta-feira, 19 de julho de 2012

Caros educadores, menos crianças = menos professores, perceberam?

Se há classe profissional que me causa alguma comichão é a dos professores. Não tenho nada contra os professores e, também acho que são uma classe muito válida e de vital importância na sociedade (como muitas outras). Mas, aquele Mário Nogueira e a sua sede de protagonismo, as manifestações sazonais, ora por causa dos concursos, ora por causa dos contractos, ora por causa dos horários, dos exames, dos alunos, as greves... A verdade é que já não há paciência. Eu não percebo absolutamente nada dos concursos de professores, da forma como são, ano após ano, contestados imagino que deva ser algo muito complexo. Mas uma coisa eu sei, o Ministério é da Educação e existe para proporcionar educação a quem dela precisa, não é o ministério do professor e a sua função não é a de criar emprego para os professores. Um licenciatura na vertente de ensino, mesmo tirada segundo os parâmetros normais e não pelo método Relvas, não vincula o estado a arranjar emprego ao professor. Se há menos crianças é normal e aceitável que o estado contrate menos professores, outra coisa não se esperaria. A instabilidade profissional que tanto contestam é o pão nosso de cada dia dos trabalhadores do privado, porque garantias de emprego vitalício ninguém , no mundo real (não inclui aqui a função pública) a tem. Trata-se de uma classe muito bem paga, que não é das mais desgastantes (que outra profissão tem um intervalo a cada 50 minutos?) e, embora acredite que terá os seus problemas, não é razão para levarmos com o bigode do Mário Nogueira e as suas reivindicações, a que já ninguém liga, todos os dias nas notícias.

16 comentários:

Nadinha de Importante disse...

Tens muita razão numa coisa essencial, as constantes greves feitas pelos professores descredibilizaram por completo a classe de professores!! Fazem greve por tudo!!!

Mas, em relação ao facto de ser uma classe bem paga,isso não corresponde a realidade da maioria dos professores!!! Alguns são muito bem pagos, mas a grande maioria não o é!!!

Agora desgastante, acredito que é das profissões mais desgastantes!!! Lidar com crianças, adolescentes o dia todo, não é um intervalo de 50 min em 50 min, que irá dar para descansar!!

Que as crianças estão a ser menos, isso é verdade; mas o que faz existir menos professores é o facto de as turmas estarem a crescer!! A um ponto que vai deixar de ser proveitoso para os alunos, os bons alunos continuaram a aprender, mas os mais fracos irão ficar eternamente na escola!!!

Marco C. disse...

com essa do Mário Nogueira e sede de protagonismo, consigo concordar ctg. No resto já não... claramente não estás por dentro do assunto "professores". A questão não se trata d haver menos alunos, o problema é aumentarem o numero d alunos por turma, o q económicamente diminui as despesas do estado, pq reduz o nºde professores necessários. E esse aumento d alunos traduz-se dps numa diminuição da qualidade d ensino pq se torna mais dificil chegar a tds os miudos d igual forma. Preferes um filho teu numa turma com 30 alunos ou numa turma com 20?... E após uma aula de 45m (não 50), o intervalo ou não existe ou é de 5 minutos. Após uma aula de 90m o intervalo é de 10m. E acredita q dps de estares 90m com uma turma de 20 (ou 30!!) miudos irrequietos e uns qts muito Mal Educados - em casa - ( pq a Educação vem de casa e o Ensino é na escola), tb irias querer uma pausa p te preparares p a aula seguinte...

Sílvia disse...

Até concordo que possa ser desgastante, aturar canalha não é fácil, daí eu não ter escolhido ir para professora. Os professores quando o escolheram ser, sabiam ao que iam. No entanto é preciso ver que há profissões muito mais desgastantes, com mais horas de trabalho e com ordenados bem menores, um exemplo muito simples, trolhas/pedreiros (ou sei lá se agora há um nome chique para isso). E eles têm que trabalhar, caso contrário não recebem.

Os que entram de novo podem até ganhar pouco, o mal é que durante anos largos andaram muitos (não só professores como outros funcionários públicos) a receber demasiado para a estrutura financeira do país. E se receberam um salário alto, depois ficam com reformas demasiados altas. a grande maioria dos func.públ. recebe actualmente mais de reforma do que o comum trabalhador do privado. Nunca isto resultaria financeiramente, se sai mais dinheiro do cofre do estado do que o que entra, não é preciso ser um grande economista para se chegar a uma conclusão lógica! Só quem lucra com isto é que "não consegue" ver!

Daí eu manter sempre a minha opinião de que no sector público NUNCA se deveria ganhar mais do que no privado, de modo a que primeiro fossem completadas as vagas no privado e só depois quem não arranja-se emprego aí recorresse ao público.

Por exemplo a ADSE fazia sentido antes do 25 de Abril quando os func. públic. recebiam pouco, daí terem que haver incentivos como um subsistema de saúde. Que sentido faz agora a ADSE quando um funcionário público recebe mais do que um do privado. Há coisas que me são dificeis de entender!

Anónimo disse...

...e de certeza, Silvia, que o teu trabalho deve ser mais desgastante que o de um "trolha"... que comparação mais infeliz...
Carla Cação

Miss S disse...

Meus caros,

Admito que não esteja por dentro da problemática que agora assola a classe dos professores. Por uma única razão, há sempre um problema qualquer, a presença do sindicatos dos professores nas noticias é uma constante e já ninguém aguenta. Esta não é a única classe profissional com problemas mas, é a mais reivindicativa e, no estado em que o país está chega até a a ser ofensivo para outras classes profissionais que se debatem com problemas tão ou mais sérios. Acredito que é uma profissão desgastante mas, também o é ser operário fabril, e repetir a mesma função milhares de vezes ao longo de 8 horas diárias, só com um intervalo de 15 mim para lanchar e idas à casa de banho controladas, para chegar ao final do mês e levar para casa 485 euros. E não os vemos todas as semanas nas notícias a carpir as mágoas. Eu se fosse profesora sentir-me-ia envergonhada com esses que se dizem seus representantes. Atenção, não estou a dizer que não têm direito a reivindicar, acho é que não têm direito a exigirem tantos direitos.

Marco C. disse...

hum não percebo a razão desta comparação entre profissões. O operário fabril tb terá os seus problemas de profissão e só cabe a eles lutarem por aquilo q acham injusto. Seguramente q um professor não vai lutar pelos direitos ou injustiças de uma qq outra profissão, tal como o inverso não vai acontecer. E ainda relativamente ao ex q escolheste Miss S. Os operários fabris: de certeza q não os vês constantemente nas noticias a queixarem-se das condições d trabalho?...é q na minha TV eles aparecem. Se não reivindicas nada no teu trabalho será pq conseguiste o trabalho de sonho... Sou professor há 12 anos (tho 36), já tive de ser operado às cordas vocais pq, simplesmente, fiquei sem voz (não, e não pus nenhum atestado médico) devido à profissão, se isto não é (apenas uma) causa de desgaste... Além de que é uma das profissões com mais número de depressões diagonosticadas. Não pode ser apenas coincidência. Cada classe há-de lutar por aquilo q acha q é justo. O q é injusto é outras classes, q admitem não estar por dentro do assunto, "crucificarem" sem fundamento esta classe. E lembrem-se: se conseguiram escrever e ler estas opiniões: agradeçam a um professor...

Sílvia disse...

Carla Cação, não me ouviu a reclamar de ter um trabalho desgastante ou não. Ou ouviu?

Tenha o trabalho que tiver sei ver aqueles que trabalham mais que eu eu e ganham menos, assim como sei ver que há quem trabalhe menos e ganhe mais. Um trolha trabalha mais que eu, tem um trabalho mais desgastante sim.
Tanto tem, que na suiça a reforma para este tipo de trabalhos é-lhes dada mais cedo, o que faz todo o sentido.

Só não percebe a comparação quem não quer, ou não lhe convém.

Anónimo disse...

pois claro Silvia, se trabalha menos que um "trolha" e ganha mais, provavelmente terá uma licenciatura. E essa costuma ser uma das consequências de quem investe mais tempo nos estudos, ser melhor remunerado. Mas com essa "denuncia" de q ganha mais e trabalha menos q os "trolhas" não se admire se um destes dias tiver à porta do seu serviço uma manifestação de trolhas a reivindicarem o seu (o da Silvia) ordenado. E provavelmente enquanto escreveu aqui as suas opiniões, aposto, q estava em horário laboral. Assim vai o país.
Carla Cação

Nadinha de Importante disse...

Sílvia,
Tem razão quando refere a reforma dos func. públicos, mas isso é culpa dos actuais func. públicos? Reformas de 4000€ para bispos, antigos ministros, deputados, e essa gentinha, não é culpa dos func. públicos!!
Em relação a ADSE, existem empresas privadas que tem seguros de saúde para os colaboradores que são melhores!!!

Os professores perderam a credibilidade quando começaram a fazer greve, por tudo e por nada!!! Devemos procurar melhorar todas as condições de trabalho,e de salários, independentemente das profissões, todos somos válidos!!! Alguns politicos é que nem por isso!!!!

Marco C. disse...

greve por tudo e por nada, os professores?? Lá está a falta de informação leva a este tipo de condenações de quem não sabe o que diz. No presente ano letivo, 2011-2012, "nadinha de importante", houve 1 (UMA) greve de professores. É isto fazer greve por tudo e por nada?! Assim de repente consigo lembrar-me dos Controladores aéreos que fizeram Imensas greves. E ganham bem mais q eu e 5 trolhas juntos.. E continuam no seu direito de reclamar.

Sílvia disse...

Ora, eu já só li a primeira frase da sua resposta: "se trabalha menos que um "trolha" e ganha mais, provavelmente terá uma licenciatura."... Onde é que eu disse que trabalhava mais?
E porque raio está a tirar conclusões baseada em NADA?

Eu não trabalho, vivo do rendimento mínimo!! Agora sim, em posse de todos os dados, pode dizer o que bem lhe apetecer a meu respeito!!

Mania das pessoas falarem sem saberem. Como é obvio já nem leio o resto da resposta, porque discussões baseadas em NADA, não valem apena.

Sílvia disse...

Aliás, onde é que eu disse que ganhava mais?! Era isto que eu queria dizer!! Já estou desnorteada!!

Sílvia disse...

Nadinha, eu não disse que a culpa era dos actuais func. públ., nem sequer dos antigos. Se fosse eu a receber, também não ia recusar. A culpa tem sido dos sucessivos governos, que para obter votos tem feitos todas as asneiras que sabemos.

As empresas privadas podem ter os seguros que quiserem e até podem dar um ferrari a cada funcionário, que não usam o dinheiro do povo. E as empresas que fazem isso é porque têm poder financeiro para isso, se não tiverem, não faem, porque qualquer empresa que gaste mais do que ganha vai à falência, é o que se passa com o Estado.

Nadinha de Importante disse...

Quando eu digo que fazem greve por tudo e por nada, é a imagem que passa para a comunicação social. Os motivos das greves nem sempre passam para a comunicação social, estou a falar das greves em geral, não é deste ano específico!

Sílvia, concordo plenamente consigo, mas a imagem que passa é que a culpa é dos func. públicos, e não dos governos incompetentes que temos tido!!

Miss S disse...

Caro Marco,

Não pretendi fazer nenhuma comparação entre profissões, apenas uma constatação de que a insatisfação e os problemas laborais é algo que atinge todas as profissões. Agora, acho que dada a delicada situação que o país atravessa deveria haver bom senso da parte dos sindicatos. Claro que me preocupa o facto de as turmas passarem a ter 30 alunos mas, preocupa-me muito mais que daqui a uns anos a educação gratuita seja algo de incomportavel e a aprendizagem passe a ser um luxo ao alcance de poucos. O que poderá muito bem acontecer se a gestão da educação não for racional e aqui, embora tenha muito respeito pelos professores e esteja muito grata a alguns com quem tive a felicidade de me cruzar, acho que os interesses dos alunos e do futuro da educação deve prevalecer sobre os interesses da classe profissional.
E não, infelizmente não tenho um emprego de sonho, aliás se quis ter um emprego tive de o criar, o que me obriga a trabalhar 12 horas por dia, e acredita também tenho ganas de ir para a frente do parlamento gritar e atirar tomates à cabeça daqueles malandros, é que eu pago mais impostos que a maioria e não tenho metade das regalias sociais. ;)

Um aparte,
Se és professor, isso significa que a fotografia é apenas um hobby? Não é a tua actividade principal? I'm stunned!

Marco C. disse...

eu tenho a profissão q escolhi e escolhi mto cedo ser professor, (o meu pai tb o é) mas desde q terminei a licenciatura, se quis trabalhar tive de me afastar de toda a minha familia, há 12 anos q lecciono a quase 2000km de casa (nos açores), a ultima vez q estive com a mha familia foi no natal, pq é dificil pagar as passagens p o continente, por isso não me venham dizer a MIM q os professores ganham bem, e são uns previligiados e eu não comecei ontem a dar aulas...Tenho hj uma situação estável pq lutei por ela com todo o prejuizo pessoal q daí adveio. Miss S eu até percebi o q querias dizer, mas não consigo não responder a opiniões que me parecem mal fundamentadas.. Não me leves a mal.

Um aparte: a fotografia é um hobby sim, q mta vez serve p escapar à má-educação com q lido quase tds os dias :) Mas graças a Deus (ou a alguns pais) q ainda há Mtos alunos q fazem valer o trabalho escolar :) E eu gosto.