sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O exemplo dos outros são apenas exemplos, nunca lições...


Em 2011, Bronnie Ware, uma enfermeira americana que trabalhava com doentes terminais, publicou, no seu blog, um texto sobre os maiores arrependimentos daqueles que estão perante a morte. (Texto esse que deu, mais tarde, origem a um livro.)  A relação que cultivava com os seus pacientes, as conversas que com eles travava, as verdades que lhes via nos olhos, os momentos que comungavam apesar da dor e do medo, permitiram-lhe elaborar esta lista. 

Estes são os cinco arrependimentos mais comummente citados:



1. I wish I'd had the courage to live a life true to myself, not the life others expected of me. 

2. I wish I didn't work so hard. 

3I wish I'd had the courage to express my feelings.

4. I wish I had stayed in touch with my friends. 

5. I wish that I had let myself be happier. 



O budismo aconselha a pensar pelo menos três vezes ao dia na morte pois, só assim podemos viver e morrer melhor. A verdade é que a morte é uma inevitabilidade que não encaramos. Adiar para a amanhã é ter a audácia de acreditar que somos imortais pois, quem garante que há um amanhã?
Da lista acima há dois arrependimentos que me despertam, o terceiro, que já nutro, e o quinto que temo. Como qualquer mortal saudável, tenho a ousadia de pensar que terei tempo para redimir, para aproveitar, para recuperar o tempo perdido. A verdade é que, o tempo é algo de irrecuperável e todos nós o sabemos.  Como sabemos que cada bala que desperdiçamos é uma oportunidade perdida, pois na vida não há lugar a reload. Mas isso faz-nos agir de forma diferente? Faz-nos sair por aí a gritar amo-te a todos aqueles a quem nunca o dissemos? faz-nos largar tudo para procurar a felicidade? faz-nos deixar de nos importar com os outros? ou procurar aquele amigo que já não vemos há anos? Nunca o ser humano aprendeu pelos erros dos outros. O conhecimento pressupõe uma dose de sofrimento. Estes testemunhos são uma herança preciosa, fazem-nos pensar, analisar a nossa vida, fazer um balanço mas, não nos impedem de cometer os mesmos erros. A morte nunca me assustou (a minha pelo menos), talvez porque nunca pensei nela da forma que um doente terminal a vê (apesar de todos nós sermos terminais): como um fantasma que paira caprichosamente no ar. Assusta-me a dor e, é este medo que me condiciona e que, me leva(rá) a alguns destes arrependimentos. Porque a morte é momentânea mas, a dor é constante.  


 Post original aqui

7 comentários:

POC disse...

Parabéns. Grande texto, bonito, para reflectir.

Por um lado, o tempo não volta para trás, por outro, "nunca é tarde". Algo aqui no meio deve ser verdade.

A vida é tramada. E é difícil fazermos a maior parte das coisas bem (ou tomarmos as melhores opções), quanto mais todas. Por isso o melhor é respeitarmo-nos primeiro. Provavelmente isso fará de nós melhores também para os outros.
E respeitarmo-nos é também dizer o que queremos e sentimos. E ter uma vida recheada de amigos bons, mesmo que poucos.

Estou a divagar... Bottom line, gostei do texto.

Fada Sininho disse...

Miss, gostei muito do teu texto e, no limite, ele remete-nos para o propósito da nossa existência (se é que há algum... eu acredito que sim).

Não é fácil pensar nisso, não é fácil...

esmeraldameira disse...

MisS és a minha blogger favorita :D Lindo texto, bonitas palavras e "grande" blogg:D

S* disse...

Temos de saber valorizar a vida, o prazer que é viver.

MisS disse...

POC, querido, mi casa es tu casa, aqui podes divagar à vontade, até porque gosto quando divagas.
"E respeitarmo-nos é também dizer o que queremos e sentimos", true but, quantos de nós não nos desrespeitamos, ás vezes durante toda a vida?

(Great weekend e, boa sorte para segunda ;)*

Sininho, quando penso sobre o propósito da nossa existência vejo as sombras da insanidade, is a deep place to be. Neste momento compro a versão enjoy the trip, don't worry about the destination.

Esmeralda, grande é a tua simpatia.*

S*, essa é uma lição que, por vezes, leva uma vida a aprender-se.

entreestaslinhas disse...

Este teu texto deixa-nos a pensar...de facto deixou.

POC disse...

@MisS, sem dúvida, a maior parte das vezes somos nós que nos desrespeitamos durante muito tempo.

Obrigado pelas tuas palavras*